Questão Q10246

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Ano: 2026Matéria: Língua PortuguesaAssunto: Discursiva Coesão e Coerência 5º, Coesão e Coerência 5º Ano, Coesão e Coerência

Leia o texto e responda à questão abaixo.

Machado de Assis: O Gênio que Transformou Conectivos em Arte

Como um escritor do século XIX conseguia fazer o leitor rir, chorar e se surpreender usando pequenas palavras de ligação? A resposta está no talento único de Machado de Assis, considerado o maior escritor da literatura brasileira.

Nascido em 1839 no Rio de Janeiro, Machado descobriu que conectivos como "porém", "todavia" e "entretanto" podiam ser muito mais que simples elos entre frases. Em suas mãos, essas palavras se tornavam instrumentos de ironia, suspense e reviravolta narrativa.

Em Dom Casmurro, a coesão sequencial serve ao ciúme e à ambiguidade. O narrador Bentinho, ao descrever Capitu no enterro de Escobar, usa a elipse e a reticência como armas: "A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas..." O conectivo "que" encadeia a observação e a conclusão suspeita — num único fôlego. Já na apresentação de Capitu, o conectivo aditivo revela a superioridade da personagem sobre o próprio narrador: "Capitu era Capitu, isto é, uma criatura mui particular, mais mulher do que eu era homem." O "mais... do que" não apenas compara — denuncia.

Machado de Assis nos ensina que dominar conectivos é dominar a arte de conduzir o leitor. Cada palavra de ligação é uma escolha que carrega intenção, ironia e sentido — e é por isso que sua obra permanece viva mais de um século depois.

a) De acordo com o texto, o que Machado de Assis descobriu sobre os conectivos como "porém", "todavia" e "entretanto"?

b) O texto diz que Machado de Assis dominava "a arte de conduzir o leitor". O que isso significa, de acordo com as informações do texto?