Questão Q10310
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Palavras que Vendem: Como os Adjetivos Conquistam Consumidores
Por que um sorvete anunciado como cremoso e irresistível parece mais gostoso do que um simplesmente chamado de "bom"? Ou por que uma tênis descrito como o mais confortável do mercado parece mais atraente do que um "tênis confortável"? A resposta está em algo que você já conhece bem: os adjetivos e seus graus.
Adjetivos na vitrine
No mundo do comércio, cada palavra de um anúncio é escolhida com cuidado. Os profissionais de marketing sabem que adjetivos bem escolhidos despertam emoções e criam imagens na mente do consumidor. Não é por acaso que embalagens raramente dizem "suco de laranja". Elas dizem "suco natural, fresquinho e saboroso". Cada adjetivo acrescenta uma qualidade que torna o produto mais desejável.
Mas atenção: não basta empilhar adjetivos. Um anúncio com palavras vagas e genéricas convence menos do que um com informações precisas e concretas. "Tênis leve como uma pluma, com solado de borracha antiderrapante e design exclusivo" é muito mais persuasivo do que simplesmente "tênis muito bom".
O poder dos graus
É aqui que os graus dos adjetivos entram em cena com força total. Observe a diferença:
Um restaurante "bom" — positivo simples.
Um restaurante "melhor que os outros" — comparativo de superioridade.
Um restaurante "o melhor da cidade" — superlativo relativo de superioridade.
Cada degrau sobe a percepção de valor na cabeça do consumidor. Por isso, propagandas adoram o superlativo: "o mais rápido", "o mais seguro", "o mais econômico". Quando uma marca diz que seu produto é "incomparável" ou "inigualável", está usando o superlativo absoluto para comunicar que não existe nada igual.

Existe, porém, um limite. Quando todos os produtos se dizem "o melhor do mundo", a palavra perde força. Os consumidores aprendem a desconfiar de superlativos vazios. Um anúncio que diz "feito com os ingredientes mais frescos, colhidos diariamente em fazendas selecionadas" é mais convincente do que um que simplesmente grita "o melhor!" — porque o primeiro mostra, e o segundo apenas afirma.
Dominar os adjetivos e seus graus não serve apenas para tirar boas notas em português. Serve para entender o mundo à sua volta, perceber quando uma propaganda está sendo honesta ou exagerada, e — quem sabe — criar suas próprias mensagens persuasivas no futuro. Afinal, quem domina as palavras tem uma ferramenta poderosa nas mãos.
a) De acordo com o texto, por que as embalagens de produtos costumam usar vários adjetivos em vez de dizer apenas que o produto é "bom"?
b) O texto diz que os consumidores "aprendem a desconfiar de superlativos vazios". O que faz um superlativo parecer "vazio" para quem está lendo uma propaganda?